
Capítulo 14 - Uniões para o bem... e para o mal!

(Nicolas) – Desculpa a demora Zezé...
(Zezé) – Não tem problema. Vai ao colégio hoje? Já está em cima da hora.
(Nicolas) – Vou sim.
Nicolas correu para o quarto e se trocou.

(Nicolas) – E não se preocupe Zezé, vai ficar tudo bem com o Francis!
(Zezé) – O que esse menino está aprontando?
Na empresa...
(Débora) – Então estamos juntos nessa?
(Hugo) – Sem dúvida, mas não sei como você pretende derrubar o Ricardo.
(Débora) – Isso você quem tem que saber. Como advogado e diretor dessa empresa, você deve saber de algum podre, alguma coisa ilícita...
(Hugo) – Não, não tem. O Jorge sempre manteve tudo dentro da lei.
(Débora) – Jorge, Jorge, esquece esse homem! Como vocês conseguem se prender tanto a um morto? Tudo mudou agora, você pode fazer alguma coisa para prejudicar o Ricardo sim!
(Hugo) – Atingi-lo diretamente não sei como.
(Débora) – Começamos mal, será que vou ter que pensar por nós dois? Pelo jeito você não entendeu aonde quero chegar. Presta atenção! Você tem acesso à praticamente tudo nessa empresa, inclusive à contabilidade...
(Hugo) – Você está dizendo que...
(Débora) – Sim! Lembra que eu te disse que poderíamos lucrar muito mais juntos? Então, quero que você comece a desviar algum dinheiro, sonegar alguma coisa...
(Hugo) – Você não está falando sério!
(Débora) – Não estou pra brincadeira, Hugo!
(Hugo) – Ok, ok...
(Débora) – Ótimo! Assim saímos ganhando alguma coisa e na hora certa a culpa vai cair toda sobre o Ricardo.
(Hugo) – E quanto a nós dois?
(Débora) – Nós dois? Como assim?
(Hugo) – Eu também não estou pra brincadeira!
No colégio...
(Drica) – Nic! Pensei que estivesse esquecido da gente!
(Nicolas) – E aí galera! De jeito nenhum eu esqueceria vocês.
(Isis) – Que ótimo te ver Nicolas, estava com saudades...
(Nicolas) – Clarissa, preciso muito falar com você.
(TJ) – Nossa! Como você diria: “Que fora fantástico!”
(Isis) – Cala a boca TJ, sua voz está começando a ficar irritante!
(Clarissa) – O que foi Nicolas?
(Nicolas) – É... ahn... prefiro que conversemos a sós.
(Drica) – Ui! Sinto um climão daqueles no ar. Ai ai... esses jovens apaixonados me emocionam.
(Isis) – Não fala besteira garota!
(Drica) – Eu hein! E alguém se dirigiu a você sua sapona oxigenada?
(Lipe) – Duas tiradas em menos de cinco minutos Isis, hoje não é seu dia.
(Isis) – Não sei como ainda me envolvo com esse tipo de gentinha, vamos sair daqui TJ.
(TJ) – Bando de favelados!
(Drica) – Ai, estou extremamente ofendida. Vai capacho, corre atrás da peruazinha aí!
(Lipe) – Hoje você tá que tá hein Drica?
(Drica) – Eu sempre estou Lipe!
(Lipe) – Por isso que eu gosto tanto de você, bate aqui!
(Drica, pensando) – “Gosto tanto de você”? Ai meu Deus! Será?
O rosto de Drica fica corado de vergonha e eles começam a rir.
(Clarissa) – Fala Nicolas.
(Nicolas) – Bom Clarissa, nem sei por onde começar...
Clarissa começava a ficar nervosa, seu coração batia cada vez mais forte.
(Nicolas) – Bem... primeiro eu queria te pedir desculpas mais uma vez por todos os anos que eu fui um palhaço com você.
(Clarissa) – Esquece isso Nic, éramos crianças.
(Nicolas) – Sim, mas você sempre foi tão legal comigo e eu nunca percebi isso. Enfim, hoje eu sei a pessoa maravilhosa que você é e fico muito feliz de ter você comigo.
Clarissa fica sem palavras.
(Nicolas) – Você foi a pessoa que mais me deu forças quando meus pais morreram, quando eu fui morar com a Zezé, aqui no colégio...
(Clarissa) – Claro, somos amigos não é?
(Nicolas) – Por isso mesmo, aqui que quero chegar, você é a pessoa em quem eu mais confio, preciso da sua ajuda.
(Clarissa) – Aconteceu alguma coisa?
(Nicolas) – Várias, não só comigo. Tem muita coisa aparecendo, envolvendo a morte dos meus pais, e também sobre o Francis.
(Clarissa) – O que tem ele? É sobre a briga que ele teve com os DDD?
(Nicolas) – Que briga?!
(Clarissa) – Você não ficou sabendo? Foi hoje cedo.
(Nicolas) – Isso está começando a ficar sério demais.
(Clarissa) – Como assim Nic? Não estou entendendo mais nada.
Nicolas contou que desconfiava que Francis estava usando algum tipo de droga e que os DDD estavam envolvidos nisso.
(Clarissa, assustada) – Meu Deus! Não acredito nisso!
(Nicolas) – É difícil de acreditar mesmo, mas eu tenho certeza! Precisamos fazer alguma coisa, ajudar o Francis a sair dessa.
(Clarissa) – Mas como?
(Nicolas) – Por isso que estou te contando, duas cabeças pensam melhor que uma.
(Clarissa) – Está certo, afinal eu também conheço o Francis desde criança. Nossa, é tão estranho saber que um amigo está nessa.
(Nicolas) – Nem me fale. Então, a outra coisa, por incrível que pareça, é mais séria ainda.
Agora Nicolas conta tudo sobre Ricardo e Débora, o acidente de Alfredo, a falsa perda da memória e, principalmente, sobre o sonho que teve com seus pais.
(Clarissa) – Nicolas, isso é muito sério! Se tudo isso for verdade, quer dizer que seus pais foram assassinados! O Ricardo e a Débora são dois assassinos!
(Nicolas) – Se isso for verdade não, É verdade. Agora tudo faz sentido... Nesse sonho que eu tive, meus pais me diziam para cuidar da Zezé e do Alfredo, pois eles precisariam de mim. Também disseram para eu não me esquecer de quem foi meu amigo, para eu estar sempre com ele. No dia eu não entendi, mas agora entendo, eles se referiam ao Francis!
(Clarissa) – Faz sentido...
(Nicolas) – Também pediram para eu tentar ajudar uma pessoa que tem muita mágoa no coração e me afastar do Ricardo, está tudo muito claro. Você deve estar achando que eu sou um doido de sair acreditando em um sonho, mas foi tão real. Inicialmente eu nem dei muita importância, mas logo as peças começaram a se juntar.
(Clarissa) – De forma alguma Nic! Acredito que você esteja certo e fico muito feliz por você confiar em mim, pode sempre contar comigo. Ai não, a aula vai começar.
(Nicolas) – Depois continuamos essa conversa. Obrigado mesmo Clarissa.
Abraçaram-se com carinho e Nicolas lembrou do dia que ficou sabendo da morte dos pais e Clarissa o abraçou para consolá-lo. Eles se olharam, sem graça, e baixaram a cabeça.
(Nicolas) – Vamos entrar então?
(Drica) – Não acredito, eles se beijaram, ELES SE BEIJARAMMM!!!
(Lipe) – Espionando os dois Drica? Mas... beijaram mesmo?
(Drica) – Claro! Eu vi os dois se abraçando e depois o Nicolas pegou na mão dela!
(Clarissa) – Drica! O que você está dizendo menina?! E nessa altura!
(Drica) – Não sabia que era pra guardar segredo.
(Clarissa) – Segredo de que? Ah, já sei. Não é nada disso que você está pensando. Não liga pra ela Nicolas.
(Nicolas, rindo) – Ok!
(Lipe) – O que aconteceu cara?
(Nicolas) – Nada, só estávamos conversando.
(Lipe) – Só isso?
(Nicolas) – E o que mais seria? Somos...
Nicolas ficou calado por um segundo.
(Lipe) – Amigos?
(Nicolas) – Isso! Amigos.
Na casa dos Lampert, Cléo estava pensativa. O papel com o número de telefone anotado responsável pelas noites mal dormidas remexia em suas mãos. Ela queria ligar, mas tinha medo. Sempre fora uma esposa dedicada, tratava bem o marido, será mesmo que Alberto seria capaz de traí-la? Ela não merecia isso.
(Cléo) – Não agüento mais isso, vou ligar! Se aquele cachorro tiver outra mulher eu... eu...
(Cléo) – VOU CHORARRRR!!!!
(Alberto) – Cléo? Estava chorando?
(Cléo) – Eu? Não, foi impressão sua. Nem sob tortura eu choro, borra minha maquiagem. Alberto, me diga uma coisa...
(Alberto) – Fala.
(Cléo) – Você ainda me ama?
(Alberto) – Que pergunta Cléo!
(Cléo) – É sério, responde! Eu te faço feliz? Estou fazendo alguma coisa errada?
(Alberto) – Estamos casados ainda, se eu fosse infeliz já teria tomado providências. Tenho que sair, talvez eu volte para o jantar.
Essa não foi a resposta que Cléo esperava ouvir. Pela primeira vez ela estava abatida, toda aquela alegria havia sumido, restou apenas sorrisos falsos para ninguém desconfiar.

(Cléo) – Ele tem outra!
De volta ao colégio, no intervalo das aulas...
(Isis) – Você é o homem mais patético que já conheci TJ!
(TJ) – Já vai começar? O que eu fiz dessa vez?
(Isis) – Nada! Esse é o problema, você simplesmente nunca faz nada!
(TJ) – Já sei, queria que eu te defendesse da Drica hoje não é?
(Isis) – E eu lá preciso de alguém pra me defender daquela gorda metida a camaleão?
(TJ) – Então o que é?
(Isis) – O Nicolas e a songa monga da Clarissa, todos cheios das intimidades hoje antes da aula e você não fez nada!
(TJ) – O que você queria que eu fizessse?
(Isis) – Isso, olha e aprende!
(Isis) – Nicolas...