
Capítulo 18 - Um estranho...
Na empresa...
(Fiscal) – Por favor, o senhor Ricardo Macfay se encontra?
(Sandra) – Pois não, o que o senhor deseja?
(Fiscal) – Sou fiscal da Receita de Sim City, preciso falar com ele.
(Sandra) – Pode entrar, é nessa sala ao lado.
(Ricardo) – Quem é o senhor?
(Fiscal) – Sua secretária já me anunciou. Recebemos um comunicado de que sua empresa não está cumprindo com os devidos deveres fiscais, tenho aqui uma intimação e mandado de apreensão dos documentos envolvidos, para fins de esclarecimentos junto com a Receita.
(Ricardo) – Mas isso é uma audácia! A empresa Macfay sempre esteve em dia com...
(Fiscal) – Se está tudo em ordem o senhor não se incomodará de prestar alguns esclarecimentos.
(Ricardo) – Vou chamar meus advogados.
(Camilo) – Eu não tinha dúvidas!
(Sérgio) – O que foi?
(Camilo) – O Ricardo acabou de nos chamar na sala dele, tem um fiscal da Receita questionando a empresa. Exatamente o que o Hugo pretendia, ele disse e fez, deu o bote!
(Sérgio) – E agora?
(Camilo) – Você já sabe o que fazer, haja como se não soubesse de nada, vamos tentar adiar essa fiscalização o mínimo possível para o Ricardo não desconfiar.
Depois de um tempo...
(Ricardo) – Eu não vou prestar esclarecimentos nenhum, não devo satisfações a ninguém!
(Sérgio) – É melhor não reagir Ricardo, você pode se complicar ainda mais.
(Fiscal) – Durante as investigações, esteja ciente de que o senhor está proibido de sair da cidade.
(Ricardo) – Onde está o Hugo? Ele que cuidou disso enquanto... ISSO! FOI ELE!
(Camilo) – Vamos logo Ricardo!
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Lipe e Drica iam à casa de Zezé falar com Nicolas...
(Drica) – Eu estou me roendo de curiosidade pra saber o que está acontecendo com a Clarissa e o que ela e o Nic conversaram hoje. Será que eles se acertaram?
(Lipe) – Acho difícil, não viu que a Isis estava “urubuzando” os dois?
(Drica) – Como sempre! Meu Deus, como eu não suporto aquela garota! Loira oxigenada, bocuda, metida e vela ainda por cima! Não entendo como vocês a acham bonita...
(Lipe) – Eu nem acho...
(Drica) – Sei...
Drica distraída, tropeça na rua e Lipe a segura.

(Drica) – Você foi rápido hein? Pode me soltar agora, seus braços devem estar custando a agüentar o peso da fofa aqui...
(Lipe) – Não quero soltar.
(Drica) – Como assim?
Na casa de Zezé, Francis chega mais uma vez revoltado, mas dessa vez não sob efeito de drogas.

(Zezé) – Francis, pelo amor de Deus filho, deixa eu te ajudar!!!
(Francis, chorando) – Por favor mãe, eu não quero mais isso, me ajuda!
(Zezé) – Me diz o que está acontecendo filho, quem fez isso com você?

(Nicolas) – Eu sei Zezé.
(Francis) – Cala a boca Nicolas! Você é um peso morto aqui, mora de favor, não se intrometa na nossa vida!
(Zezé) – Que isso Francis, ele é seu amigo, está tentando ajudar!
(Clarissa) – Desculpa entrar sem bater, a porta estava entreaberta...
(Nicolas) – Você chegou na hora Clarissa.
(Francis) – O que está acontecendo aqui?
(Nicolas) – Fica calmo Francis, nós já sabemos o que está acontecendo com você. Eu vi quando os DDD te bateram hoje de novo.
(Zezé) – Quem são esses?
(Clarissa) – Uns garotos lá da escola, foram eles que...
(Francis, chorando) – Eu só queria ser amigos deles, não sabia que ia entrar nessa, eu não quero mais, mas não consigo!
(Zezé) – Você vai conseguir filho, estamos juntos para te ajudar.
*toc toc toc*
(Zezé) – Você pode abrir a porta pra mim Clarissa?
(Clarissa) – Claro.
(Zezé) – Quem é Clarissa?
(Clarissa) – Eu não sei...
Um homem estranho para Clarissa, Nicolas e Francis, mas conhecido para Zezé, entra.
(Zezé, assustada) – Júlio!
(Júlio) – Há quantos anos Zélia...
(Francis) – Quem é esse cara mãe?
(Zélia) – Ahnn... meninos, vocês podiam nos deixar conversar a sós?
(Nicolas) – Claro Zezé, vamos Clarissa. Francis...
(Francis) – Eu não vou, estou na minha casa!
(Zélia) – Por favor filho...
(Nicolas) – Já estou perdendo a paciência com o Francis, parece que ele tem 5 anos de idade. VAMOS LOGO FRANCIS!
Os três saíram e deixaram Zélia, desconcertada, e Júlio, com um sorriso falso no rosto, a sós.
(Júlio) – Caramba! Como ele cresceu, está a cara do pai!
(Zélia) – Claro que ele cresceu, tem quase 16 anos que você nos abandonou, ele era um bebê e a Débora...
(Júlio) – A Débora! Onde está nossa filha?
(Zélia) – MINHA filha! Ela não mora mais aqui. Já não bastam todos os problemas que tenho enfrentado e mais essa. O que está fazendo aqui Júlio?
(Júlio) – Ora Zezé, eu posso ter errado no passado, mas eles são meus filhos e você minha esposa, vocês são minha família!
(Zezé) – Se você pensasse mesmo assim...
(Júlio) – Eu sei! “Não teria nos abandonado”. Eu tive meus motivos.
(Zezé) – Quaisquer que sejam eles, não justificam o que você fez.
(Júlio) – Nós éramos muito jovens, eu estava desempregado... Quando o Francis nasceu e as despesas aumentaram, eu não agüentei a pressão e resolvi... ahnn... digamos que fugir.
(Zezé) – Simples assim? Simplesmente cansou e foi embora? Júlio, você me deixou com duas crianças pequenas pra cuidar! Você não imagina como foi difícil criar nossos filhos! A Débora sempre soube tudo, acho que por isso ela é tão revoltada. O Francis acabou sabendo e cresceu com esse trauma...
(Júlio) – Eu imagino sim, me perdoa Zezé!
(Clarissa) – Quem é aquele homem? Ele me lembra alguém...
(Francis) – E como eu vou saber?
(Nicolas) – Júlio... já ouvi falar desse nome... a Débora uma vez...
(Francis, assustado) – Meu pai!
(Júlio) – O que importa agora é que eu voltei.
(Zezé) – E voltou por que? Pra me encher de promessas como você fazia e depois sumir?
(Júlio) – Você mudou muito...
(Zezé) – Mudei sim, a vida me mudou! Você esperava encontrar aquela Zélia com 20 anos de idade? Você sim que não mudou nada, continua com esse ar de superioridade, essa audácia.
(Júlio) – Só quero recuperar os anos perdidos...
(Zezé) – Disse bem, anos perdidos pra você, pra mim não. Nós não precisamos de você, por favor, saia da minha casa!
(Júlio) – Tudo bem, mas eu volto. Posso pelo menos dar um abraço no meu filho?
(Zezé) – Não ouse!
Nicolas e Clarissa entram assustados...
(Clarissa) – Zezé, o Francis descobriu quem é esse homem, ficou revoltado! Tentamos acalmá-lo, mas ele começou a me ofender, agrediu o Nic e saiu correndo feito um doido!!!
(Nicolas) – Não consegui parar ele Zezé, me desculpe!
(Zezé) – A culpa não é sua Nicolas, é dele!
Quando Zezé olha, Júlio já havia ido embora.
(Nicolas) – É ele mesmo Zezé?
(Zezé) – Sim Nicolas, o pai do Francis e da Débora. Meu Deus, onde será que o Francis foi parar?!
Zezé chora.
Enquanto isso...
(Drica) – Lipe, o que foi isso?
(Lipe) – Até onde eu sei foi um beijo não?
(Drica) – Mas...
(Lipe) – A ficha ainda não caiu pra mim também Drica, só sei que tenho certeza de que...
(Drica) – ... que???
(Lipe) – Ahnnn... você beija muito bem?!
Drica fica sem graça.
(Lipe) – Brincadeira...
(Drica) – O quê?!?!
(Lipe) – Não, não foi isso que eu quis dizer, quer dizer... eu...
Drica começa a rir.
(Lipe) – Vamos começar do zero. Bom Drica, nós somos amigos há muito, nos damos bem e eu percebi que o que sinto por você não é só amizade.
(Drica) – Isso é pegadinha né?
(Lipe) – Lembra uma vez que eu estava estranho, te evitando e te tratando mal?
(Drica) – E como não ia lembrar? Você estava um prego naquela época!
(Lipe) – Pois é... foi naquela época que eu “descobri”. Achei que não ia dar certo e quis me afastar.
(Drica) – Você fez muito mal!
(Lipe) – É, eu sei... perdemos tempo.
(Drica) – Mas dá pra recuperar!
(Lipe) – Sabe que você beija bem mesmo?
(Drica) – Devo ser autodidata, foi a primeira vez.
(Lipe) – Sério?!
(Drica) – Ai Lipe, hoje foi o melhor dia da minha vida!