
Capítulo 26 - O recomeço
Um mês depois, na nova casa de Nicolas...
(Nicolas) – Pô Lipe, a Drica chega hoje e você nem nos avisa?
(Lipe) – Quisemos fazer uma surpresa, por isso combinei de nos encontrarmos todos aqui na sua casa. Será que é ela que está vindo ali?
(Drica) – Oi meus amores!!! Que saudade!!!
(Nicolas) – Drica?
(Clarissa) – É você mesmo amiga?
(Lipe) – Amorzinho?!
(Drica) – Credo, estou tão mal assim?
(Clarissa) – Gente, ou eu estou enxergando muito mal...
(Lipe) – Ou minha namorada é a coisa mais linda do mundo!
(Drica) – Ai gente, que exagero. Só um regiminho durante as férias...
(Clarissa) – Regiminho? Você está simplesmente maravilhosa Drica! E esse cabelo?
(Drica) – Culpa da minha mãe que insistiu para que eu cortasse.
(Lipe) – Ela fez bem, você ficou mais linda ainda!
(Nicolas) – Essas férias te fizeram muito bem mesmo Drica, mas discordo de uma coisa!
(Drica) – O que?
(Nicolas) – Quando o Lipe disse que a namorada dele é a coisa mais linda do mundo. A mais linda é a minha!
(Clarissa) – Ai Nic, você me deixa sem graça...
(Drica) – Espera aí, eu entendi bem? Você e o Nic? Namorando?!
(Clarissa) – Há quase um mês.
(Drica) – Gente, que tudo! Me conta isso gente!
(Nicolas) – Aconteceram tantas coisas esse mês Drica, você nem imagina...
(Drica) – Tá, mas comecem por vocês, como foi que tudo aconteceu?
(Nicolas) – Foi tudo graças ao Lipe que deu o pontapé inicial.
(Lipe) – Assim como o Nic foi com a gente, Drica. Eu não agüentei e contei tudo.
(Nicolas) – A ficha demorou pra cair, mas logo eu descobri o tanto que gostava dessa garota.
(Lipe) – E foi um custo para ele tomar atitude!
(Clarissa) – É, rolaram uns desentendimentos, mas nada sério e cá estamos, juntos!
(Drica) – Estou tão feliz por vocês! Mas vejo que isso é só o começo, essa casa por exemplo, que história é essa Nic?
(Clarissa) – Que tal darmos uma volta, ir ao parque, assim conversamos e te contamos tudo!
(Lipe) – Boa idéia.
Durante o passeio...
(Drica) – Então quer dizer que foi tudo culpa do Ricardo e da Débora?
(Nicolas) – Foi, e do Hugo também. No começo eram os três juntos, depois o Ricardo ficou sozinho e deu no que deu. Ele matou o Hugo e depois o pai da Débora deu o troco.
(Drica) – Gente, que história mais louca! O pai da Débora resolve aparecer do nada e ainda faz uma coisa dessas?
(Nicolas) – É difícil de acreditar mesmo. Até na morte dos meus pais ele estava envolvido!
(Clarissa) – Sério? Disso eu não estava sabendo.
(Nicolas) – Ele que sabotou o helicóptero e isso foi o que mais pesou para a Débora ser condenada, ser cúmplice desse plano.
(Drica) – Ela mereceu...
(Débora) – Já não me basta ter que passar os melhores anos da minha vida confinada nesse lugar horroroso e ainda me colocam pra limpar privada?
(Policial) – Pára de reclamar e continue limpando, têm muitas ainda...
(Drica) – E a Zezé, como reagiu a isso tudo?
(Nicolas) – Foi uma barra pra ela, mas agora ela está bem, superou tudo.
(Nicolas) – Estamos morando todos juntos, eu, ela, o Francis e o Alfredo. O Alfredo demorou pra aceitar, mas não tinha lógica ele continuar naquela pensão, afinal ele faz parte das nossas vidas.
(Clarissa) – E a Zezé está linda, virou outra pessoa, você precisa ver!
(Drica) – E o Francis, como está?
(Nicolas) – Se recuperou. Ele ainda está inseguro, com medo de recaídas, mas começou a freqüentar um grupo de apoio com a Zezé e isso o está ajudando muito. E o mais surpreendente, somos amigos agora!
(Drica) – Jura?
(Francis) – Nicolas, posso entrar?
(Nicolas) – Claro Francis, o quarto é seu também!
(Francis) – Eu queria te pedir desculpas...
(Nicolas) – Ué, mas por que?
(Francis) – Por sempre ter agido como um animal com você. Olha tudo o que você fez por nós! Esteve com a minha mãe dando força pra ela o tempo todo, nos comprou essa casa...
(Nicolas) – Não liga pra isso Francis, afinal somos amigos não?
(Francis) – Hoje sei que sim. Desde criança eu sempre tive muita inveja de você e ciúmes também por você e minha mãe serem tão próximos, mas superei tudo isso e quero começar do zero!
(Nicolas) – E pode contar comigo. Amigos?
(Francis) – Amigos!
(Lipe) – Uma coisa que eu não te perguntei Nic. Seus bens voltaram para você, mas como você é menor, ficaram sob responsabilidade da Zezé que é sua tutora. Quem está cuidando da empresa?
(Nicolas) – Ah, o Camilo junto ao Sérgio e a Sandra, estão fazendo um ótimo trabalho!
(Drica) – Vocês têm notícia da nojenta da Isis?
(Clarissa) – Você não vai acreditar quando souber!
(Drica) – Ai, solta a bomba logo então!
(Lipe) – Ela e o TJ estão ficando!
(Drica) – O que?!
(Clarissa) – E mais uma vez a tentativa de golpe do baú dela deu errado...
(Isis) – Ai TJ, o que eu tenho na cabeça pra ainda dar bola pra você? Um pobretão que não tem nem onde cair morto!
(TJ) – Mas você não vai assumir nunca mesmo né? Você gosta de mim, sempre gostou!
(Lipe) – E fiquei sabendo que os DDD se ferraram de vez.
(Nicolas) – Como assim?
(Lipe) – Depois que eles foram expulsos da escola, continuaram vendendo aquelas coisas por aí e não deu outra, foram pegos!
(Nicolas) – Pelos pais?
(Lipe) – Que nada, os pais deles já estavam carecas de saber, mas acho que não sabiam como agir. A policia o fez por eles...
(Nicolas) – Quer dizer que...
(Lipe) – Eles estão em um reformatório, uma espécie de prisão semi aberta para menores.
(Deivid) – Olha só onde vocês foram me meter!
(Diego) – Nem vem cara, você está tão sujo quanto nós nessa história!
(Deivid) – É, mas foram vocês que me convenceram de entrar nessa!
(Duda) – Vai dar um de coitadinho agora? Não interessa de quem foi a culpa agora, nos ferramos de qualquer jeito!
(Drica) – Bem feito pra eles. Se já estão nesse estágio agora, imagina quando ficassem mais velhos? Seria até perigoso... Clarissa, sem querer ser muito intrometida, mas e seus pais, como ficaram?
(Clarissa) – Não ficaram... Minha mãe insiste em não me contar o real motivo da separação, ela diz querer me poupar, mas que foi uma traição imperdoável muito grande do meu pai.
(Clarissa) – Mas mãe, eu tenho o direito de saber!
(Cléo) – Mas você já sabe filha, seu pai me traiu! Não quero que você pense que seu pai é um homem mau e deixe de gostar dele. Falando nisso, hoje ele vem te ver.
(Clarissa) – Tudo bem, não vou insistir. Quando ele chegar me chame.
Um tempo depois...
(Cléo) – Como vai Alberto?
(Alberto) – Vou indo, e você?
(Cléo) – Muito bem.
(Alberto) – Escuta Cléo, depois que toda a história do golpe do Ricardo veio a tona, eu queria te dizer que...
(Cléo) – Não precisa dizer nada, Alberto. Eu sei que você não participou diretamente de nada, apenas deu a idéia de fraudar o testamento. Mas o fato de ter agido com essa frieza, por saber de tudo, foi o suficiente para acabar com toda a ternura que sentia por você. Sua consciência fica encarregada do seu julgamento. Vou chamar a Clarissa.
(Clarissa) – Oi pai!
(Alberto) – Clarissa, minha filha, precisava muito falar com você, pedir perdão.
(Clarissa) – Perdão?
(Alberto) – É, por eu ter sido um pai ausente e frio com você. Sempre me preocupei só com trabalho e dinheiro e me esqueci da preciosidade que tinha em casa. Quero te pedir que, se um dia você souber de algo que fiz que te decepcione muito, me perdoe. Tudo que eu fiz foi por um orgulho besta! Eu nunca aceitei o fato de sua mãe ter mais dinheiro que eu e das pessoas acharem que eu era um aproveitador. Gostei muito da sua mãe sim, tenha certeza disso...
(Drica) – Ele não está morando mais aqui?
(Clarissa) – Não. A empresa dele foi transferida para uma cidadezinha no interior e ele se mudou, mas sempre vem me ver, me liga coisa e tal. Agora o que me deixa mais feliz é alegria da minha mãe... Ela está parecendo uma adolescente com o namorado, e com razão, ele é uma ótima pessoa.
(Cléo) – Clarissa, esse é o Eduardo.
(Eduardo) – Muito prazer Clarissa. Estou encantado, tão linda quanto a mãe.
(Clarissa) – Obrigada. É um prazer conhecer a pessoa que está fazendo tão bem pra minha mãe.
(Eduardo) – Fico feliz de ouvir isso. E pode confiar, sua mãe está em boas mãos.
(Drica) – Que legal, ficou feliz por sua mãe, ela merece! Nic? Você está aí?
(Nicolas) – Oi? Ah, estava pensando nos meus pais...
(Lipe) – Você deve sentir muita falta deles né?
(Nicolas) – Demais, mas às vezes sinto que eles estão tão perto de mim que a saudade passa.
(Jorge) – E estamos filho.
(Maria Clara) – Estivemos com você todo esse tempo e sempre estaremos.
(Jorge) – Estamos muito orgulhosos de você, da sua coragem e determinação.
Nicolas tem a mesma sensação de quando teve aquele sonho com seus pais, sentiu a mesma paz e alegria. Em um movimento involuntário, olhou para trás.
(Clarissa) – Que foi Nic?
(Nicolas) – Nada não...
(Lipe) – É, esse ano foi mais agitado que o normal...
(Nicolas) – Verdade, muitas coisas aconteceram, mudaram e começaram...
Nicolas olha com carinho para Clarissa...
(Nicolas) – A melhor delas foi ter conhecido vocês, Lipe e Drica. Não consigo nem imaginar se teria agüentado tanta coisa sem vocês.
(Drica) – Amigos servem para isso. Pode contar sempre com a gente.
(Nicolas) – Sei que posso e por isso estou feliz, por saber que aconteça o que acontecer nessa nova etapa da minha vida, tenho com quem contar, com meus melhores amigos!
(Drica) - Olha que pôr-do-sol mais lindo!
(Nicolas) - Parece que o céu ficou até mais limpo depois que tudo se resolveu.
(Lipe) - É... Mac City nunca mais será a mesma.
(Clarissa) - E nem nós...
FIM!