
Capítulo 5 - Ricardo triunfa.
O bairro estava de luto no dia do funeral e assim ficou por dias.
(Ricardo, pensando) – Agora eu sou o único Macfay! Você acabou Jorge, não é mais nada, finalmente estou por cima!
(Débora, pensando) – Sua perua metida à boa samaritana! Você teve o que mereceu.
Cléo continuava chorando, Alberto não foi ao enterro e Clarissa ainda não havia digerido tal tragédia e Nicolas...
...pobre Nicolas! Depois de dois dias seguidos trancado no quarto sem comer direito, não tinha força para chorar mais.
A cerimônia foi emocionante e todos partiram, restando apenas Nicolas e Clarissa.
(Clarissa) – Nicolas, vamos embora. Você precisa descansar.
Alguns dias depois...
(Débora) – Posso ir com você?
(Ricardo) – Não precisa. Tenho que ir lá só pra ouvir a leitura do testamento, como se eu já não soubesse o que tem lá. Preciso levar aquele garoto...
(Débora) – Não demore. Vou ficar te esperando no nosso novo quarto.
(Zezé) – DÉBORA! O que está acontecendo aqui?!
(Ricardo) – Opa, opa! Se vira agora, tenho que ir.
(Débora) – Ai mãe, deixa de ser careta!
(Zezé) – Não é questão de ser careta ou não. Você nesse amasso com o Ricardo? Essa casa nem é sua!
(Débora) – Você que pensa.
(Zezé) – Como é?!
(Débora) – Nada Dona Zezé, nada!
(Ricardo) – ANDA LOGO NICOLAS! Que demora moleque, parece uma mocinha se arrumando.
Nicolas saiu do quarto e não disse uma palavra.
(Ricardo) – E desamarra essa cara! Não agüento mais ver você choramingando pela casa, seja homem!
Nicolas continuava calado, mas subitamente...
(Nicolas) – NÃO QUERO MAIS VOCÊ NA MINHA CASA! EU TE ODEIO, VOCÊ NUNCA GOSTOU DE NINGUÉM NESSA CASA! DESAPARECE DA MINHA VIDA, NÃO VOU PERMITIR QUE VOCÊ SEJA MEU TUTOR!
(Ricardo, rindo) – HÁ HÁ HÁ HÁ!!! Você não manda em nada aqui. Eu também não quero ser tutor, por isso pensei nisso antes.
(Nicolas) – O que?
(Ricardo) – ANDA LOGO! Estamos atrasados. Cadê a Zezé? Ela tem que ir também.
Nicolas não estava entendendo nada, nem o que Ricardo disse sobre sua tutoria, muito menos o porquê de Zezé ter que ir também.
Depois da leitura do testamento...
(Zezé, pensando) – Eu não entendo por que o Jorge deixou tudo para o Ricardo e a tutoria do Nic pra mim. O pobre perdeu os pais e não tem mais nada agora!
(Nicolas) – Zezé, você não está gostando muito da idéia de ser responsável por mim não é?
(Zezé) – Que idéia é essa Nic! Você é como um filho pra mim. E vai continuar tudo como sempre foi, você na sua casa e...
(Ricardo) – Corrigindo, MINHA casa!

(Nicolas) – Eu não estou suportando mais ele e todo esse cinismo!
Em casa...
(Ricardo) – Vem cá garoto. Agora você pode parar com toda essa sua arrogância. Você não tem nada, não é mais nada, não passa de um hospede na minha casa. Caso você me causar algum problema, não vou pensar duas vezes antes de te colocar no olho da rua! Pelo menos seu pai deixou seu colégio pago, porque senão...
(Débora) – Por que você já não o manda embora? Ele pode muito bem morar com a minha mãe.
(Ricardo) – Não posso dar muito na cara. Mas a vida dele vai ser um inferno a partir de agora. Ele vai sair por vontade própria.
Alfredo estava desconfiado de Ricardo e Débora desde a morte de Jorge e Maria Clara. A partir de então, tentava escutar todas as conversas entre eles, inclusive essa.
(Zezé) – O que você está fazendo no quarto da Clara?
(Débora) – Agora esse quarto é meu e do Ricardo.
(Francis) – Ae maninha, por cima da carne seca!
(Zezé) – Filho, vai fazer companhia pro Nic, ele está precisando de um amigo.
(Francis) – Tô fora! Já basta aturar ele no colégio, aquele pobretão!
(Zezé) – Precisamos conversar Débora. E você também mocinho!
(Nicolas) – Clarissa, não agüento mais. Eu não posso mais nada dentro dessa casa. Em pensar que ela já foi dos meus pais... Hoje é desse homem que se dizia meu tio...
(Clarissa) – Nic, eu nem sei o que dizer. Está tudo tão confuso. Se eu já não estou entendendo mais nada, imagina você. Só posso te dizer que você tem uma amiga aqui para qualquer hora.
(Nicolas) – Poxa Clarissa, eu sempre fui tão bruto com você, mas você nunca deixou de estar comigo. Muito obrigado por tudo.
(Clarissa) – Não precisa agradecer. Vamos animar menino! E o colégio? Você já faltou uma semana, nem deu tempo de conhecer a escola, o pessoal...
(Nicolas) – Amanhã eu vou. E se for preciso passo o dia inteiro na escola pra não ver a cara do Ricardo.
(Clarissa) – Que tal vir na minha casa?
(Nicolas) – Se seu pai gostasse de mim...
(Zezé) – Débora, depois da morte do Jorge e da Clara, essa casa virou uma bagunça! Você de caso com o Ricardo que agora é dono de tudo, eu tutora do Nicolas...
(Débora) – Qual é o problema? Eu não vou mais precisar trabalhar aqui como empregada. É tudo meu!
(Zezé) – Você tá doida menina?!

(Débora) – A senhora que está esquecendo que agora trabalha pra mim e caso não se comportar...
(Zezé) – Vamos continuar essa conversar em casa.
(Débora) – Eu estou em casa! Aliás... pode informar pro Francis que agora aquele quartinho fuleira é todo dele. Tchauzinho mamãe.
Débora sai e deixa Zezé desconcertada. Alfredo se aproxima...
(Alfredo) – Fica calma Zezé. Tenho uma idéia do que pode ter acontecido.
(Zezé) – Você está sabendo de alguma coisa?
(Alfredo) – Apenas suspeitas e incertezas, estou apenas de olhos atentos. Mas muita coisa ainda vai acontecer, para o bem de uns e ruínas de outros.
(Zezé) – Credo Alfredo! Você está me assustando.
Zezé chora e desabafa.
(Zezé) – Não estou reconhecendo minha filha Alfredo! Ela está tão estranha. Esse monstro do Ricardo está colocando maldades na cabecinha dela.
(Alfredo) – Não se engane minha querida. Sua filha já tinha uma tendência ao mau caratismo, desculpa a franqueza, mas que a verdade seja dita. Ainda mais agora com dinheiro por perto, ela está deslumbrada.
(Zezé) – Isso tudo por causa daquele infeliz do pai dela que não serviu nem para assumir os filhos. Estou preocupada...