
Capítulo 8 - Alfredo ameaçado
Na casa dos Macfay...
(Débora) – Alfredo! Não estou te reconhecendo, olha a bagunça que está isso!
(Alfredo) – Escuta aqui menina. Te conheço desde quando você era um projeto de gente. Não estou nenhum pouco a fim de aturar uma garotinha arrogante me dando ordens. Fique sabendo que esse império que você acha que o Ricardo montou uma hora vai cair.
(Débora) – Como assim? Do que você está falando?
(Alfredo) – Você sabe, não seja cínica.
Mais tarde...
(Débora) – O Alfredo sabe...
(Ricardo) – Sabe o que?
(Débora) – O que mais poderia ser? Sabe demais sobre nós!
(Ricardo) – Como ele saberia? Só o Hugo sabe, que viagem...
Na casa dos Lampert...
(Nicolas) – Não agüento mais ver tantos livros na minha frente.
(Clarissa) – É verdade, mas valeu a pena. Está tudo em ordem agora.
(Cleó) – Oi crianças! Já está indo Nic? Janta com a gente.
(Nicolas) – Obrigado tia Cléo, mas a Zezé está me esperando na casa dela... tenho que ir. Obrigado pela ajuda Clarissa. Tchau!

(Clarissa) – Ele não gosta de ficar aqui por causa do papai...
(Cleó) – Falando no Alberto, ele está mais que atrasado hoje, de novo! Vamos jantar então fofinha?
Na casa da Zezé...
(Nicolas) –Oi Zezé. Hummm... que cheirinho gostoso. Ué, está chorando Zezé?
(Zezé) – Ai Nic, que bom que você chegou, estou tão triste.
(Nicolas) – Aconteceu alguma coisa?
(Zezé) – A Débora anda muito mudada. O Alfredo me disse umas coisas sobre ela que me encabulou. E o Francis anda sumido de novo.
(Nicolas) – Com o Francis você pode ficar tranqüila, acho que sei com quem ele pode estar. Agora a Débora... o que o Alfredo te disse?
(Zezé) – Não entendi muito bem. Parece que ele tem certeza de alguma coisa, mas não pode fazer nada por enquanto. Mas deixa isso pra lá, vou ficar bem.
Nicolas jantou rápido e foi para “sua” casa. Zezé foi logo em seguida...
(Ricardo) – Olha quem resolveu dar as caras! Cansou do cafofo da Zezé?
(Nicolas) – Muito pelo contrário, nunca estive tão bem como lá. Sai da minha frente que não vim aqui pra te ver.
(Ricardo) – Vê lá como fala comigo moleque!
(Nicolas) – Eu não te devo nenhuma satisfação, muito menos respeito. Você não passa de um coitado que foi adotado pelos meus avós e agora se sente dono de tudo. Quer ser o dono da casa e da empresa? Que seja, é tudo seu! Mas você nunca vai ser o homem que meu pai foi!
Essas últimas palavras foram como facadas pra Ricardo. Ele nunca aceitou a condição de simples filho adotado, apesar de ter sido sempre muito querido. E compará-lo com Jorge era mais que suficiente para tirá-lo do sério. Ricardo se descontrolou e já ia agredir Nicolas quando Alfredo chega...
(Alfredo) – Algum problema Nicolas?
(Nicolas) – Que bom que você está aqui Alfredo. Preciso falar com você.
(Alfredo) – Comigo? Está bem, vamos para o meu quarto.
Assim que se retiraram Débora chegou.
(Ricardo) – O garoto veio falar com o Alfredo, acho que você estava certa. Vai lá e tenta ouvir alguma coisa.
(Alfredo) – O que foi?
(Nicolas) – A Zezé anda muito triste, estou preocupado. Ela me disse que você contou alguma coisa pra ela, sobre a Débora. Preciso saber para tentar ajudá-la.
(Alfredo) – Não só sobre a Débora, principalmente sobre seu tio.
(Nicolas) – Ele não é meu tio!
(Alfredo) – Bom Nicolas, desde sempre percebi o caráter duvidoso do Ricardo, toda a obsessão e ganância pelo poder do Jorge. Toda essa tragédia não foi uma simples fatalidade.
(Nicolas) – Como assim?!
(Alfredo) – Na hora certa você vai entender e eu espero estar vivo para ver os culpados pagarem por tudo que fizeram.
Nicolas começava a se assustar.
(Nicolas) – Você só está me confundindo mais ainda Alfredo.
(Alfredo) – Escuta Nicolas, eu sou um simples mordomo que serve sua família desde seus avós. Hoje não passo de um velho metódico cheio de dúvidas e incertezas. Não sou o dono da verdade, mas sinto que muita coisa ainda vai acontecer.
(Nicolas) – Ahn?! Isso é algum tipo de código?
Alfredo se emociona e Nicolas estranha...
(Alfredo) – Sabe Nicolas, você está cada vez mais parecido com seu pai. Uma pessoa sensata, esperta, mas acima de tudo tem um coração maravilhoso sempre pronto pra ajudar. Se ele estivesse aqui com certeza iria se orgulhar muito de você. Fica tranqüilo. Sei que você nunca gostou muito de mim, mas saiba que sempre tive muita estima por você e agora, mais do que nunca, você pode contar comigo. Ainda não falei com ninguém, mas estou saindo dessa casa em breve. Consegui um quartinho na mesma pensão da Zezé e com minhas economias terei meus últimos dias de vida tranqüilos.
(Débora) – Seus últimos dias literalmente...
Ela foi falar com Ricardo.
(Débora) – Não há duvidas, ele sabe de tudo! Nossos planos, a sabotagem, o testamento.
(Ricardo) – Não é possível, como ele descobriu?
(Débora) – Com certeza deve ter ouvido alguma conversa e foi juntando as peças do quebra-cabeça. Não foi difícil chegar a uma conclusão.
(Ricardo) – Ele contou tudo para o Nicolas?
(Débora) – Ainda não...
(Ricardo) – Pelo menos isso, mas isso não é nada bom. Não queria chegar a esse ponto, mas vamos ter que eliminar o velho.
(Débora) – Como assim? Você diz...
(Ricardo) – Exatamente, e você vai me ajudar.
(Débora) – Ele disse que vai embora daqui no máximo até amanhã, temos que agir rápido.
Um tempo depois, já a noite...
(Zezé) – Que bom que você está aqui filha, queria muito falar com você.
(Débora) – Eu sei mãe, vamos conversar sim, mas outra hora. O que a senhora está fazendo?
(Zezé) – Estou preparando a janta do Alfredo. Você pode me ajudar? Termina de preparar esse chá pra mim.
(Débora, pensando) – Com muito prazer!
Débora termina o chá e coloca um veneno que Ricardo conseguiu. Eles queriam acabar com Alfredo naquela noite.
(Débora) – Prontinho mãe, quer que eu leve pra ele?
(Zezé) – Pode deixar, obrigada filha.
Um tempo depois... Alfredo já tinha jantado.
(Alfredo) – Hummm, essa comida da Zezé não tem igual em nenhum lugar. Vou sentir falta da comida dela quando sair daqui, mas nada compra a liberdade que vou sentir fora dessa casa. Ah! Meu chá, ela nunca esquece...