
Capítulo 9 - Um sonho...


(Alfredo) – Nossa, hoje a Zezé errou a mão nesse chá, coisa horrível!
(Ricardo) – E aí?
(Débora) – Minha mãe já levou tudo pra ele. A essa hora o babaca já deve ter tomado o chá, só esperar agora.
Um tempo depois...
(Alfredo) – Aiii... que tontura é essa?! Estou vendo tudo embaçado. Vou à cozinha beber algo.
(Alfredo) – O que está acontecendo comigo? Acho que vou...
Alfredo desmaiou e rolou escada abaixo.
Todos se assustam como o barulho e vão ver o que aconteceu.
(Zezé) – Alfredoooo! Socorro, alguém ajude!
(Nicolas) – Meu Deus, Alfredo! Vou chamar uma ambulância.
Ricardo e Débora nem se importaram, apenas comemoram o aparente sucesso de mais um plano.
(Débora) – Você tem que prestar socorro sim, senão vai dar muito na cara!
(Ricardo) – Tá bom, tá bom, eu vou com ele para o hospital.
No hospital...

(Nicolas) – E aí doutor, como ele está?
(Dr. Afrânio) – É cedo pra dizer algo, ele está desacordado.
(Nicolas) – Mas o que aconteceu?
(Ricardo) – Nicolas, vai pra casa, já amanheceu. Chame a Zezé.
(Dr. Afrânio) – Isso garoto, você já ajudou no que era possível.
Sem outra saída, Nicolas foi para casa com Zezé, se roendo de raiva pela falsidade de Ricardo na presença do médico.
(Dr. Afrânio) – Você é parente da vítima?
(Ricardo) – Sou.
(Dr. Afrânio) – Bom, a queda foi o de menos. Vamos fazer alguns exames...
(Ricardo) – Não precisa! Sabemos o que ele tem, são normais esses desmaios dele, coisas da idade sabe?
(Dr. Afrânio) – Tem certeza? Tudo bem, vamos aguardar agora.
(Ricardo, pensando) – Ufa, pelo menos dessa eu escapei. Mas que velho infeliz esse, nem o veneno conseguiu dar um fim nele!
Em casa...
(Débora) – E com razão! Fui dar uma olhada, ele só bebeu metade, não fez efeito por completo.
(Ricardo) – Temos que ficar de olho nele, ele não pode contar isso para ninguém!
(Débora) – Você acha que ele seria capaz? Sem provas?
(Ricardo) – Sinceramente eu não sei, por isso temos que ficar muito atentos.
Na casa de Zezé...
(Nicolas) – Zezé, esse não é um momento muito propício, mas hoje tive certeza que aquela casa não é lugar pra mim mais, não agüento ficar lá mais. Eu estava pensando...
(Zezé) – Em morar aqui? Vai ser maravilho Nic, ando tão sozinha... Sinta-se em sua nova casa!
(Nicolas) – Obrigado Zezé, eu te amo muito viu?
Zezé chora...
(Lipe) – Ei Nic! Por que você não veio no colégio hoje cara?
(Nicolas) – Nossa Lipe, você nem imagina. Aconteceram algumas coisas aí, mas parece estar tudo bem.
(Lipe) – Se está tudo bem, então beleza. As meninas que insistiram pra te ligar, estavam preocupadas, ou curiosas, mulheres... você sabe né? Hoje o dia foi tranqüilo, você não perdeu nada de importante não.
(Nicolas) – Perfeito então. Bom, nos vemos amanhã. Manda um beijo para as meninas, até mais!
Nicolas estava acabado de cansaço, mas em compensação estava feliz por saber que não iria mais voltar àquela que fora sua casa tão cedo. Ele foi para o quarto, se trocou e adormeceu logo. Pouco depois de dormir, Nicolas se transportou para um lugar desconhecido em um sono profundo.
Em um vasto campo se encontrava uma criança com duas pessoas. Sim, era Nicolas mais novo com seus pais.
Eles se divertiam...
Brincavam e conversavam.
Há muito tempo Nicolas não sentia tamanha felicidade. De repente ele se viu mais velho, como era hoje.

(Jorge) – Filho, estamos muito orgulhosos de você.
(Maria Clara) – Sim Nic, você tem se mostrado forte para lidar com todas essas mudanças e acima de tudo, continua com um bom coração.
(Jorge) – Cuide da Zezé, não há dúvidas que a vida de vocês estava traçada para um dia ela ser como sua mãe. Não se esqueça de quem foi seu amigo, ele irá precisar de sua ajuda.
(Maria Clara) – O Alfredo também precisa de você, esteja sempre com ele filho.
(Jorge) – Há uma pessoa com muita mágoa no coração, precisando se livrar disto, se aproxime e tente ajudá-la. E se afaste definitivamente daquele que considerei um irmão durante toda minha vida, o responsável por toda essa tragédia.
(Maria Clara) – Estaremos sempre com você Nicolas. Em momentos difíceis, lembre de tudo de bom que vivemos.
(Jorge) – Adeus filho!

Nicolas acordou assustado. Ele nunca teve um sonho tão real, sentiu a presença de seus pais novamente e uma paz inexplicável. De repente um ódio tomou conta do garoto quando lembrou das palavras de Jorge pedindo para ele se afastar de alguém.
(Nicolas) – É lógico, tudo se encaixa agora. O que o Alfredo me disse, o testamento, o acidente... e agora meu pai me afirmou também. Foi o Ricardo! Ele matou meus pais!!!